sábado, 1 de junho de 2013

HÁ 30 ANOS SURGIA A REVISTA ARTE-QUINTAL



Há 30 anos, em março de 1983 surgia o primeiro exemplar da Revista Arte Quintal na capital mineira, revista esta que ficaria na história da cultura nacional.
Quando minha mãe, a pianista Glória Salgado veio a falecer em 1980, eu vim parar em Belo Horizonte. Aqui comecei a me inturmar com a rapaziada da poesia que ficava na Praça Sete. Lá, sempre nos encontrávamos eu, Wilson Coelho, Isaias do Maranhão, Juleba, Evaldo Martins e outros. Alí falávamos de poesia quase uma tarde inteira.
Foi quando através de um amigo do  meu irmão Paulo, que trabalhava com ele e escrevia poemas, conheci os poetas Anselmo Guimarães e Ruy Barreto que editavam a revista Recanto. Era o ano de 1982 e isso me motivou para que lançasse minha própria revista.
Em 1982  lancei meu primeiro livro Tontinho em edição independente. Na época, eu morava no bairro Planalto e havia conhecido Ecivaldo John, que hoje reside nos Estados Unidos da América e ele havia topado essa aventura. Depois conhecemos Virginia Reis, que atualmente exerce a medicina e fomos para as esquinas fazer pedágios pedindo ajuda, dando em troca um poema. Fizemos também rifas e por fim, conseguimos alguns poucos anúncios. A revista saiu dia 13 de março de 1983 e tomou seu próprio rumo. Neste mesmo ano conheci o poeta Wagner Torres na Praça Sete, que seria uma pessoa importante para o processo da revista, tornando-se até hoje, meu melhor e o único fiel amigo amigo. Nessa época estávamos desistindo de continuar e foi ele quem nos incentivou para que seguíssemos em frente, incorporando-se assim, ao time de editores da revista. Aos poucos a revista foi ficando conhecida em todo o país e até no exterior, numa época em ainda não havia internet. Tínhamos uma estratégia na revista: colocávamos uma entrevista com alguém de renome com chamada na capa e por dentro, tipo Paulinho Pedra Azul, Fernando Brant, Oswaldo França Júnior e  acrescentávamos também vários artistas iniciantes e desconhecidos, dando uma força para aquela rapaziada.
Em 1983, no ano de sua criação, Ecivaldo John resolveu pular fora do barco e buscar seu sonho de morar na América do Norte. A revista continuou comigo, Virginia e Wagner Torres.
Em 1984 a Arte Quintal tornou-se editora e passamos a publicar livros. Um fato era certo: na década de 80, todo escritor que vinha de outro estado e passava pela capital mineira, fazia uma visitinha a três lugares sagrados para eles: o jornal Estado de Minas, o Suplemento Literário de Minas Gerais e a Revista Arte-Quintal.
Em 1985 aconteceu o 1º EPC – Encontro Popular de Cultura, Encontro esse que surgiu de um papo na Praça Sete entre Virginia Reis, Isaias do Maranhão e o jornalista Jorge Fernando dos Santos e que foi parar dentro da Arte Quintal, no qual convocamos vários seguimentos artísticos para incorporar ao movimento e que veio a acontecer sua primeira edição em 1985. Em 1986, já na organização do 2º EPC, Virginia Reis numa ida ao banheiro, voltou desesperada, pois tinha visto uma turma – a qual não citarei nomes por motivos éticos – articulando uma maracutaia para que fossem votados para a diretoria do referido evento. Daí que ela decidiu pular fora do meio artístico e seguir a medicina, que segundo ela, era um meio mais honesto de se viver.
E a revista\Editora continuou comigo e Wagner Torres por um longo caminho, até que  em 1992, quando veio o Plano Collor  começamos a passar dificuldades. Vários artistas mineiros fizeram shows e lançamentos de livros pra tentar reerguer a editora, mas foi muito difícil e fechamos as portas, restando apenas o que deixamos para a história da cultura mineira e nacional. Mas dessa história ficou um lema criado pela cabeça criativa do poeta Wagner Torres: “Ler é o caminho.”

Foto ilustrativa: Da esquerda pra direita: Ecivaldo John, escritora Eliane Maciel, Wagner Torres e Rogério Salgado, na Feira do Livro da Praça Sete\1983. Ao fundo, Marcelo Rubens Paiva.





3 comentários:

Caio disse...

parabéns pelo texto e pela preservação da memória literária de minas, através dessa arte quintal que possibilitou muitas travessuras e travessias! abs caio j. maciel

Welis Soares Couto disse...

Bom tempo, aquele! Tive a oportunidade de publicar dois livros com essa turma da "Arte Quintal". Parabéns, Poeta Rogério Salgado, pela preservação de nossa história viva.

Antonio Lopes disse...

Vale o que ficou ! tua luta e dos teus companheiros foi semeadura. isso mesmo: parabéns pela preservação cultural. Abração